Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
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Composição

25 Espécies

Fotos | Sons

Strigidae

Essa família compreende todas as espécies de corujas do mundo, com exceção da coruja-da-igreja (Tyto alba). Essa família já foi conhecida como Bubonidae.

As corujas são aves bastante antigas, os fósseis mais antigos de corujas são do Eoceno, com cerca de 24 milhões de anos. As espécies dessa família, possuem espécies próximas espalhadas por todos os continentes, menos na Antártica e em algumas ilhas oceânicas como Havaí e Nova Zelândia. A família é provavelmente originária da Europa, e já existia no Período Terciário Inferior, há 100 milhões de anos.
As corujas são frequentemente associadas a outras aves de hábitos noturnos, como o bacurau, ou ainda ao gavião, devido à semelhanças físicas e hábitos alimentares. Mas não há parentesco entre eles. Nas matas, à noite as corujas podem ser confundidas com morcegos.

Características

As corujas possuem mecanismos que as deixam perfeitamente adaptadas à vida noturna. Voam silenciosamente, sem provocar ruídos que suas presas escutariam e fugiriam. Esse silêncio é possível graças à estrutura das asas: elas apresentam nas extremidades, penas dispostas não continuamente, com intervalos entre uma e outra, como se fossem chanfraduras. Cada uma dessas penas tem o que os ornitólogos chamam de “dentadura”: a borda também chanfrada, com as barbas separadas, parecendo minúsculos dentes. Quando a coruja voa, o ar flui livremente por essas chanfraduras e, na falta de impacto, não produz ruído.
A capacidade do ouvido da coruja em perceber sons extremamente fracos é considerada milagrosa, revelando outro mecanismo de adaptação à vida noturna. Ela é capaz de localizar um roedor pelo mais leve barulho de seus passos, em meio a um festival de ruídos.

A habilidade de localizar um animal em movimento, apenas por intermédio de uma parte do espectro de frequências que compõem o seu ruído, se deve a um ouvido muito especial. Para explicá-lo, os ornitólogos costumam compará-lo a um microfone de radar colocado no foco de uma parabólica. A parabólica é o disco facial de penas que a coruja apresenta ao redor do ouvido; o microfone, o próprio ouvido. Movendo-se sob a ação de músculos, esse disco de penas amplia o volume e dirige o som para o ouvido como se fosse uma parabólica, facilitando a localização do ruído.
As falsas orelhas ou penachos, além de ornamentais, assustam os inimigos. Quando se sente ameaçada, a coruja arrepia os martinetes, atemorizando os predadores. Os grande olhos, quase imóveis, tem um campo visual bastante limitado. A cabeça, todavia, compensa essa desvantagem. É agil e gira até 270º. Para ajudar na focalização as corujas balançam a cabeça lateralmente. Quando a ave está calma, fecha os olhos puxando lentamente a pálpebra inferior para cima. Quando agitada ou nervosa, pisca rapidamente, batendo as pálpebras superiores.
O tamanho e o peso variam conforme a espécie. A maioria delas é relativamente leve. Um corujão pesa vinte vezes mais que um caburé.
As garras, quatro dedos cada, permitem ao dedo externo virar para trás para segurar a presa, trabalhando junto como o hállux, o dedo menor. A plumagem é macia, o que também favorece o voo silencioso. O colorido é escuro, permitindo à ave passar despercebida no meio onde vive. A cor varia, mas quase todas tem, em forma de adaptação ao meio, uma fase ferrugínea. A coruja-de-crista ou coruja-de-carapaça (Lophostrix cristata) e o murucututu(Pulsatrix perspicillata) fogem à regra: tem a penagem esbranquiçada ou amarelada, contrastando com a face negra.

O colorido que camufla a coruja é útil para escondê-la durante o dia. Difícil é para os ornitólogos tentarem identificá-la. Eles precisam prestar atenção nos ruídos emitidos. Cada coruja tem seu pio característico, e sua vocalização é tão importante para caracterizá-la que o respeitado ornitólogo Helmut Sick, ao registrar o som emitido pela corujinha-sapo(Megascops atricapilla), em 1969, reabriu oficialmente o estudo da espécie, diferenciando-a da corujinha-orelhuda(Megascops watsonii). As corujas, quando gritam não abrem o bico. E, todas elas, até mesmo os filhotes, costumam bater as mandíbulas, matraqueando noite adentro. As corujas gostam de tomar banho de chuva e nem se molham por possuírem as penas lubrificadas por um óleo à prova-d’água, que elas passam no corpo. A coruja-buraqueira toma banho de poeira, correndo pelo chão.

Reprodução

Macho e fêmea não possuem diferenças externas. A fêmea tem ovários e o macho, testículos, que são internos e portanto, não visíveis. As fêmeas, geralmente maiores, emitem sons roucos e mais altos. O casal canta em dueto, ou fica tagarelando em sílabas. Durante a reprodução, que ocorre na primavera, os ruídos são mais altos. Dias depois vem a postura.
A incubação das corujas dessa família dura de 23 a 28 dias. A fêmea começa a chocar logo após ter posto o primeiro ovo. Por isso, os ovos tem um tempo diferente de eclosão e os filhotes, portanto tamanhos diferentes. Os ovos são redondos, podendo, porém, variar de tamanho até na mesma postura; alguns ficam ovalados. Enquanto a fêmea choca os ovos, o macho é encarregado de protegê-la e conseguir alimento. Ninho: As corujas tem o hábito de criar seus filhotes em ninhos abandonados por outras aves, como buracos feitos por pica-paus. Algumas espécies fazem ninhos simples no chão, botando os ovos na própria grama; outras utilizam-se de buracos ocos nas árvores ou mesmo em cupinzeiros.
Os filhotes das Strigidae saem do ninho com três a cinco semanas de vida. Antes disso são alimentados pelos pais, que trazem no bico, insetos e pedaços de roedores. A penugem dos filhotes é substituída por uma segunda geração de plumagem, formada completamente quando a ave está apta para o seu primeiro voo, alguns dias depois de deixar o ninho.

Alimentação

A coruja é uma ave de rapina, já que se alimenta de animais vivos.O fato de ser ave de hábitos noturnos, a elimina da competição por alimento como os Falconiformes, também rapineiros, que caçam durante o dia. Como outras aves noturnas, caça no período que vai do começo da noite até por volta das 21horas.
As diferentes espécies tem alimentação variada: comem roedores, pássaros, insetos como gafanhotos, baratas, besouros; gambás, morcegos, lagartos, rãs, sapos e cobras. As aves preferidas das corujas são pardais, rolinhas, sanhaços e beija-flores.
Os pássaros odeiam as corujas: quando estes as descobrem de dia em seus esconderijos, irritados, lançam gritos de advertência aos outros, revelando também a presença da coruja ao homem. Muitos caçadores se aproveitam disso e imitam os ruídos emitidos por corujas para localizar pássaros com facilidade.
Quando molestada pelos pássaros, a coruja se mostra indiferente por algum tempo, mas acaba mudando de toca.
As corujas, ao contrário dos gaviões, não digerem o material ósseo de suas presas. Pequenos crânios, bicos, pés e unhas de aves, pelos, penas e escamas são devidamente regurgitados na forma de pelotas. Por meio delas os estudiosos identificam espécies raras de roedores silvestres e localizam com maior precisão o habitat de certas espécies de corujas.

A importância das corujas no combate aos ratos: Especialmente adaptadas para a caça, as corujas estão entre os mais eficientes predadores de pequenos roedores. No entanto, apesar dos benefícios que trazem ao homem com o controle populacional que exercem sobre ratos e ratazanas,essas aves são perseguidas em praticamente todo o mundo,inclusive no Brasil, por serem tidas como agourentas. No mundo atual, industrializado e informatizado, dá-se pouca importância a um grupo de aves que, talvez há milhões de anos, tem atuado expressivamente nos controles das populações de roedores, como os ratos, que hoje assolam áreas ocupadas pelo homem. Tais aves que mereciam proteção, são na verdade perseguidas, em função da crença generalizada de que sua presença trás má sorte e seu canto é agourento.
No caso do Brasil é preciso que as populações nativas sejam estudadas, pois pouco se sabe sobre a biologia das espécies neotropicais. A possível ameaça de extinção de muitas dessa aves, por fatores ainda desconhecidos, aliados a mortes provocadas pela superstição, poderia contribuir para uma explosão populacional, nas cidades e nos campos, de ratos e ratazanas, aumentando os problemas que esses animais causam para a sociedade humana.

Folclore/Cultura

Culturalmente, o homem tem se relacionado de várias maneiras com as corujas ao longo da história. Os romanos chamavam a coruja de estriges, que significa bruxa - daí surgiu o nome que abrange essas aves: strigiformes. Na Amazônia, as penas do caburé são usadas como amuletos. Mas outro tipo de coruja, o murucututu, aparece em uma cantiga para embalar crianças: “murucututu lá na beira do telhado leva esse menino que não quer dormir sossegado”. Segundo o folclorista Câmara Cascudo, em muitas áreas do Brasil acredita-se que as corujas anunciam a morte quando voam sobre a casa dos enfermos e antecipam desgraças com seu canto lúgrube. Já o escritor Guimarães Rosa deu outra versão: “A coruja não agoura: o que ela faz é saber os segredos da noite”.
Era uma vez um gavião malvado que comia os filhotes de todos os animais das redondezas. Aflita, a coruja pediu-lhe que poupasse os dela. Ele concordou, mas quis saber como diferenciá-los dos outros filhotes. A Coruja disse: - É facil. São os mais lindos da floresta. O gavião comeu os filhotes da coruja, já que na realidade, eram os mais feios. Dessa lenda popular surgiram as famosas expressões “mãe-coruja” e “pai-coruja”. Devido a seus grandes olhos, a coruja era considerada, pelos gregros antigos, a ave da sabedoria. Os professores fizeram dela seu símbolo, popularizando as figuras de corujinha de toga, capelo e com diploma em baixo das asas. Os índios as tinham como ave sagrada, enquanto os cablocos mais antigos achavam o caburé de boa sorte.

Espécies

Referências

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